7 frases que apenas chefes ruins dizem

7 frases que apenas chefes ruins dizem

31 de janeiro de 2020 Blog Liderança 0
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Não adianta varrer para debaixo do tapete. A grande quantidade de pessoas tóxicas em cargos de liderança ainda são um calo no sapato na gestão das nossas empresas. Todos os dias vemos e vivemos casos de chefes abusivos, que sobrecarregam, humilham e desestimulam seu time a partir de práticas ultrapassadas ou nada ortodoxas.

A distinção: Chefes x Líderes

Para começar, vale dizer: culturalmente, chamamos de chefes as pessoas em posição de liderança com perfil tóxico, e não de líderes. Os líderes têm a missão clara de facilitar o caminho dos liderados para o autodesenvolvimento e a liderança, enquanto que os chefes remam na direção oposta.

Chefes são centrados em si. Temem ser superados, e por isso suprimem toda e qualquer chance de alguém crescer no time. Têm dificuldade de delegar atividade, e por isso sobrecarregam as pessoas. São agressivos, atacam pessoalmente e não apoiam os projetos de vida e carreira do seu time. Por mais violenta que pareça ser essa descrição, este perfil ainda é muito comum nas empresas, especialmente as mais inchadas (muitas pessoas e em muitos níveis hierárquicos) e antigas (mais chances de estares desatualizadas).

Diferentemente do perfil dos chefes, os líderes autocráticos não configuram uma postura permanente de promove depreciação pessoal e profissional do outro. A liderança autocrática é uma posição temporária que pode ser usada em situações de crise, para administrar ambiguidades e conflitos graves, mas sem quaisquer prejuízos morais ou profissionais a ninguém. O foco continua sendo manter o equilíbrio da balança entre o desenvolvimento das pessoas e dos resultados da equipe.

Pensando nessas distinções, vamos compreender algumas frases de chefes comumente dizem e entender: tenho ou sou um(a) chefe?

1) “Errar não é uma opção”

Erros são excelentes formas de aprendizado, mas os chefes não compreendem dessa forma. Vêm como uma brecha para ataques pessoais ou como algo que possa macular sua imagem como gestor(a). Em qualquer uma das situações, vale avaliar a opção de provocá-lo(a) sobre a importância dos erros para o crescimento dentro e fora da empresa.

2) “Aqui as coisas sempre funcionaram assim”

Esta frase demonstra uma baixíssima predisposição para inovar. Muitas empresas deixam de lado as devidas atualizações técnicas, comportamentais e culturais, o que reflete em líderes enferrujados. A máquina corporativa tenta trabalhar para reverter o déficit do tempo perdido, mas não o recupera por tudo que deixou de adquirir com o lapso no tempo… E o ciclo se repete. Essa lógica se aplica à liderança de qualquer tipo de empreendimento ou equipe: temos que nos manter curiosos e inovando, para que nossa lataria não sofra as consequências do nosso próprio abandono.

3) “Eu mando e você obedece”

Quem não lembra da icônica Miranda, a chefe de Emily em “O Diabo Veste Prada”? Ela era um exemplo claro desta frase. Quando ela mandava, tinha que ser obedecido, não importava o que fosse. Isso custou a paz, os relacionamentos e até a saúde de Emily. Na vida real é exatamente isso que acontece. O professor de Stanford, Jeffrey Pfeffer apontou em seu livro “Dying for a Paycheck” (“Morrendo por um contracheque”, tradução minha) que na China, 1 milhão de pessoas morrem por ano por doenças decorrentes do excesso de trabalho (1).

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4) “Porque eu quero assim!”

Esse tópico é muito parecido com o anterior. Em ambos, o ego do chefe fala mais alto e a vontade dele(a) supera as prioridades dos liderados e da empresa. Além de prejudicar as pessoas envolvidas, o chefe acaba derrubando os resultados do time e os próprios, à medida que fica cego ao que realmente importa e rema contra as diretrizes estratégicas firmadas em colegiado.

5) “Quem você pensa que é?”

Na tentativa de humilhar pessoalmente a pessoa à sua frente, muitos chefes usam essa frase para passar a mensagem de “você não é ninguém”. Essa informação reverbera e desencadeia cada vez mais problemas de saúde física e mental associadas ao trabalho, quedas de produtividade e até mesmo altos índices de rotatividade.

A nossa liderança emocional é altamente contagiosa, afetando as pessoas de maneira muito mais profunda do que costumamos falar, principalmente em casos de alta exposição à má liderança, ao assédio moral e outros tipos de comportamentos danosos e repetitivos.

6) “Eu não me importo” – Os chefes “coração de gelo”

No caso de chefia, não há uma conexão emocional real com a equipe. Nesse caso, metas, ideias, estratégias, atividades e emoções não são compartilhadas. O que une a todos são cargos inscritos no contracheque e regulamentados por um organograma. O chefe expressa nitidamente essa falta de envolvimento com as pessoas e o contínuo esforço em sentir-se sempre acima delas.

7) “Quando eu precisar da sua opinião, eu mesmo peço”

Uma das “ideias de chefe” mais popularmente difundidas é aquela de que se você contar sua ideia para alguém, ela será roubada. Você já ouviu isso? Os chefes acreditam seriamente nisso. Além de crerem na intenção desleal alheia, acham que pedir a opinião do outro é humilhar-se para alguém em posição hierarquicamente inferior.

Ambas ideias são muito ingênuas, especialmente na era da internet em ascensão, não acha? Tudo que queremos saber, temos artigos, fóruns e especialistas que podemos consultar na internet, 24h por dia. E da mesma forma que eu busco algo que não sei, posso ensinar na internet algo que conheço bem. A horizontalidade é um fato pós-internet.

Não tem como você dar seu melhor e crescer como profissional em um ambiente tóxico, e conviver com chefes é trabalhar em um. Se você tentou conscientizar, auxiliar, dar seu melhor e ainda assim as coisas não mudam, é hora de pensar um novo plano. Nenhum contracheque, lattes ou CNPJ vale seu bem-estar e seu futuro.

Se você se identificou com essas frases, não se desespere. Todo mundo tem a chance de já ter passado ou um dia passar por sua fase chefe, e você não é diferente. Como tudo que temos apreendido sobre autodesenvolvimento, podemos mudar. Respira fundo, analise onde não está indo tão bem, crie um plano de ação e comece 1% melhor amanhã, depois de amanhã mais 1% e assim sucessivamente. Você vai chegar lá!

Referências:

PFEFFER, Jeffrey. Dying for a Paycheck. Harper Business, 2018. <https://www.gsb.stanford.edu/faculty-research/books/dying-paycheck> 

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