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Mentoria e liderança reversas: jovens conduzindo os mais experientes

Mentoria e liderança reversas: jovens conduzindo os mais experientes

26 de agosto de 2016 Liderança 0
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Por muito tempo nos acostumamos a professores, instrutores e líderes mais velhos que nós – muitas vezes com cabelos brancos – e que usavam da sua idade como argumento de sabedoria e autoridade, mas com as transformações sociais e tecnológicas esse quadro tende a mudar.

Acreditava-se (e ainda há quem acredite) que o tempo e muitos certificados são os responsáveis por desenvolver a sabedoria necessária para ser alguém respeitado e poder ensinar ou orientar alguém. Contudo, o que observamos é que as gerações que nasceram após os anos 80 vêm com um ritmo muito maior de aprendizagem e consumo de informações, concebendo a elas um grande know-how.

Quando a liderança reversa começou a surgir?

Essa ideia de que os mais novos poderiam colaborar com os mais experientes aparentemente surgiu e começou a ser praticada na General Motors em 1999, quando seu presidente Jack Welch pediu para os executivos de alto nível da corporação buscassem os funcionários mais novos para aprender sobre a internet, e esta se tornou uma prática que desde então tem sido adotada com cada vez mais abertura em todo o mundo, principalmente com a ascensão ao acesso à internet e às tecnologias de informação e comunicação.

Por que os mais jovens?

Esses jovens têm uma tendência a estarem mais atualizadas no que há de mais novo no mundo e a compreender melhor certas transformações – pois eles nasceram na era digital e vivem no ritmo da internet –  e essa característica trás contribuições muito importantes quando se trata de mentoria e liderança. Enquanto que as gerações anteriores são muito mais cautelosas e conservadoras, os mais jovens trazem ideias ligadas a inovação, transformação, investimentos e estruturas menos engessadas que dão mais energia e movimento às organizações, por exemplo. Áreas como marketing digital, publicidade, propaganda, recursos humanos, educação, computação e comunicação têm sido forte exemplo de áreas que cada vez mais sentem a necessidade dessa flexibilidade e disposição para atualizações e mudanças constantes, e os jovens líderes e mentores têm se mostrado a opção adequada para isso. Além disso, própria agitação e o imediatismo dos Y (geração nascida de 1980 a 1999) e Millenials (nascidos a partir de 2000) são fatores que predispõem uma preocupação com otimização dos processos e atualização constante.

Há uma forte tendência também de que os jovens sejam muito mais movidos por paixão e busquem viver baseados no seu propósito de vida. Com isso almejam ambientes de trabalho que sejam condizentes com seus valores pessoais, que comumente passam pela preocupação ambiental, o trabalho em equipe, a horizontalidade e a abertura à inovação.

Todo esse conjunto de características é similar ao do modelo que o mundo atual se organiza, reforçando a importância da contribuição desses jovens para o desenvolvimento das nossas vidas e de nossas corporações, pois eles compreendem melhor como tudo isso funciona.

Uma coisa que temos que ter bem claro em mente é que esses são dados e constatações baseados em pesquisas já consolidadas e em observações feitas sobre o mercado e o mundo que indicam tendências, não afirmando que isso acontece com todo e qualquer participante dos grupos citados. Haverão sim muitos Millenials desatualizados e Ys que não simpatizam com correr riscos e enfrentar mudanças, mas no geral esse é o perfil comportamental que encontramos, e temos que nos preparar para entender e lidar com essa atual situação.

Ainda há resistências

O que acontece também é que os jovens ainda enfrentam resistência por parte de muitas pessoas mais experientes por causa do argumento da idade. Eu mesma já sofri (e ainda sofro) muitas objeções por ser palestrante, coach, mentora e consultora tão cedo, mas – sabendo que isso já é recorrente – eu venho ainda mais preparada para que a qualidade dos serviços prestados por mim falem por si só.

Contudo, para a alegria dos jovens líderes, existem diversas iniciativas ao redor do mundo que dão essa oportunidade de liderança e mentoria para as novas gerações – como  o programa Young Leaders for the Sustainable Development Goals da ONU, a empresa Burson-Marsteller, o Instituto Fora da Caixa (idealizado e liderado por mim, e hoje já não mais está ativo) e o Instituto Semear -, mas infelizmente há modestos números referentes ao Brasil sobre essa prática.

Elementos que fazem parte de uma boa mentoria reversa:

  • Os mentorados devem estar com a cabeça aberta e dispostos a mudanças para realmente aproveitar a oportunidade de aprendizado e melhoria que é proposta, sem preconceitos e resistência.
  • As expectativas devem ser alinhadas entre mentores e mentorados, para que os resultados sejam obtidos com sucesso.
  • Ambas partes têm que entender que não é um processo baseado em dizer que um lado é melhor/sabe mais que o outro, mas que ambos estão em funções distintas naquele momento e que todos podem aprender uns com os outros.

É compreendendo essas informações que vemos que a troca de experiências e skills entre as gerações é uma forma saudável de contribuir com o desenvolvimento de pessoas e organizações, pois estes jovens são os construtores mais influentes do futuro que já se apresenta para o mundo.

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