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Preste atenção: a forma como trabalha pode te adoecer!

Preste atenção: a forma como trabalha pode te adoecer!

26 de maio de 2017 Liderança 0
office 620823 1920 - Preste atenção: a forma como trabalha pode te adoecer!

Você já conheceu um caso de alguém que era sempre conhecido por seus bons resultados que entrou em um colapso produtivo? Sintomas como uma incomum tendência para se dispersar e sentimento persistente de urgência e de pressa (mesmo sem necessidade). Predisposição para insatisfação, irritabilidade e frustração também presentes. Esse tipo de situação é mais comum do que a gente imagina, tem explicações cientificas e pode ser prevenida. O Traço de Déficit de Atenção (ADT, da sigla em inglês) é um conjunto de respostas cerebrais a excessos, e é principalmente relacionado ao trabalho. A pergunta-norte desse artigo é: como nosso ambiente de trabalho tem prejudicado nossa saúde mental e provocado casos de ADT?

Compreendendo o Traço de Déficit de Atenção

Muitos já ouviram falar do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). É um transtorno neurobiológico caracterizado por três possíveis e principais conjuntos de comportamentos e estados mentais: hiperatividade, déficit de atençãoimpulsividade. Todas essas características podem se manifestar juntas, mas o mais comum é encontrar uma ou duas que se destaquem no paciente (Fonte: Vamos Falar de TDAH?). Contudo, cada vez mais profissionais têm apresentado repentinamente características similares às do TDAH, como a irritabilidade, a falta de foco e frenesi interno sem ter o diagnóstico de TDAH. Esses conjunto de sintomas são o que hoje é chamado de Traço de Déficit de Atenção. 

Quando se exige excessivas ações do nosso cérebro ele reage mostrando que não aguenta mais. É uma resposta natural e automática do nossos sistema nervoso. Esse tipo de reação cerebral surge em ambientes profissionais que têm cobranças desequilibradas e promovem a multitarefagem, por exemplo. Uma hora nosso cérebro não consegue dar conta de tantas ações e entra em modo de “economia de bateria”. Como resposta, nosso lóbulo frontal (responsável por tomada de decisão, atenção, organização, priorização, gestão do tempo e outras tarefas sofisticadas) repassa o controle para as áreas profundas do cérebro. Essas regiões interpretam de tudo de modo primitivo, emitem reações emocionais relacionadas ao medo e irritabilidade e forçam os lóbulos frontais além do normal. Tentando produzir mais do que consegue, o cérebro entra – paradoxalmente – em pane. Esse mecanismo gera um quadro de estafa e improdutividade nítido no portador.

A origem do problema

“Respostas normais a um ambiente anormal” é como o psiquiatra Edward M. Hallowell define o ADT no seu artigo “Circuitos sobrecarregados” (Harvard Bussiness Review, 2005). Diferentemente do TDAH, o ADT é inteiramente determinado pelo ambiente. Ou seja, se você é portador de Traço de Déficit de Atenção é porque está inserido em algum ambiente que atualmente está sendo nocivo para sua saúde mental. O TDAH tem uma base neurobiológica que é moldada pelo ambiente, mas o ADT não. O TDAH possui pontos positivos (criatividade, por exemplo), mas o ADT é um conjunto de aspectos puramente negativos. A sobrecarga psíquica é tão grande que não sobra espaço para criatividade, bom humor e resiliência devido à forma de funcionamento cerebral no ADT, de emergência pautada em medo e ansiedade. Isso explica o porque a pessoa com o traço não consegue ser produtiva.

Hallowell, no mesmo artigo, diz também que o Traço de Déficit de Atenção é “É um artefato da vida moderna”. É fruto de uma configuração de vida praticamente padrão na maioria das vidas e empresas, especialmente na área de gestão. São vários emails para responder, muitos projetos para coordenar, muitas responsabilidades, informações em todos os lugares… Além de termos ainda mais dificuldade (pelo volume de coisas) de executarmos algo, somos psicologicamente prejudicados.

É duro ver que o meio mais propício para esse tipo de situação é o organizacional. Contribuem para essa estatística: falha na distribuição de tarefas, má gestão das pessoas, não saber dizer “não”, falta de preocupação com gestão do tempo e supervalorização do trabalho em relação a si próprio.

Uma empresa responsável se preocupa com o bem-estar físico e psíquico dos seus funcionários. Além da ideia de compromisso social, prejuízos psicológicos de funcionários acarretam em diminuição também da produtividade empresarial. E isso fala diretamente de dinheiro, rentabilidade.

Existe tratamento?

workplace 1245776 1920 - Preste atenção: a forma como trabalha pode te adoecer!O livro “Driven to Distraction at Work” (2015), do mesmo psiquiatra Edward Hallowell, é uma obra que expõe e sugere ideias combater as dificuldades de concentração e os consequentes distúrbios de focalização no trabalho. Este livro e o artigo “Circuitos sobrecarregados” pontuam saídas simples, mas eficazes para prevenir e tratar o ADT. A boa notícia é que há tratamento e cura a partir de intervenções no meio. Se sabe que não podemos parar o mundo, mudar o ritmo dele, mas podemos nos remodelar e – dentro das nossas possibilidades – ao nosso ambiente para serem mais propícios a uma boa saúde mental para nós e nossos colegas de trabalho.

Promoção de coisas boas

A promoção de emoções positivas é uma base onde repousa a prevenção e o tratamento da ADT. Um ambiente positivo estimula nosso cérebro a ser mais feliz e produtivo. O isolamento social e ambientes de pressão exacerbada são nocivos para nossa mente. O contato humano, especialmente com pessoas que gostamos, é renovador. Essas são algumas condições que tende a quebrar com a rigidez dos dias hipercinéticos.

Além disso, devemos ter cuidado com as condições físicas em que nos encontramos. Alimentação, sono e atividades físicas devem participar da nossa rotina de maneira equilibrada e regular. Existem inúmeros estudos científicos que comprovam que a privação de sono, por exemplo, afeta ligeiramente a produtividade. Se tratando de atividades físicas, durante a prática várias substâncias relacionadas à sensação de prazer são liberadas. Saúde física é um ponto crucial da prevenção e promoção em saúde mental. Como diria o velho ditado: corpo são, mente sã.

Autoconhecimento como chave disparadora

Durante um caso identificado de ADT, é importante desenvolver estratégias individuais de enfrentamento. Uma medida simples, por exemplo, é compreender o que pode te ajudar a estabelecer um foco maior. Algumas pessoas se concentram melhor com música, outras sabem que o celular é um grande distrator que deve ser controlado, há quem tenha mais foco pela manhã… Identificar seu funcionamento particular e usar ele a seu favor é crucial. Autoconhecimento é uma ferramenta e tanto para nossa vida, de uma maneira geral. Métodos que contribuem e muito para ampliação do autoconhecimento são a psicoterapia e o coaching.

Medicações: faz-se necessário?

Diferentemente do TDAH, o ADT não é tratado com medicações. Como o TDAH é um transtorno neurobiológico, o tratamento é feito a partir intervenções no organismo, com medicações. Como o Traço de Déficit de Atenção é puramente resultado de interação com um ambiente nocivo, a preocupação do tratamento se volta para a modificação do espaço externo que produz esse distúrbio.

Como as organizações podem contribuir

Sob a visão da empresa, a criação de um ambiente (físico e afetivo) favorável é muito importante. Amenidades relacionadas a um local de trabalho acolhedor formam um terreno fértil para desenvolvimento de uma mente forte e saudável. Culturas organizacionais fundamentam a formação dos ambientes da empresa, logo, ela é a raiz que vai startar as condições que apoiam psicologicamente os seus profissionais. Os líderes têm que ser fortes agentes de mudança nesse sentido.

Conclusão

O comum ritmo frenético de vida e – especialmente de trabalho – tem nos adoecido. As consequências disso podem resultar em um traço muito confundido com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Ele é ambientalmente constituído e chamado de Traço de Déficit de Atenção (TDA). O TDA tem surgido quase como em uma epidemia, já que a hipercinesia da vida avança a passos largos.

A consciência individual sobre si mesmo e sua condição psicológica é o ponto de partida para a prevenção e a promoção de adoecimentos de trabalho como o ADT. Contudo, como a maior influência na empresa vem da organização e seus líderes. Os formadores e multiplicadores da cultura organizacional têm maior poder sobre o meio de trabalho e podem intervir de maneira efetiva.

A saúde mental deve ser uma preocupação real das empresas pois varia seus rendimentos baseadas também no bem-estar e na produtividade de seus funcionários.

E você? Como seu ambiente de trabalho tem impactado sua saúde mental?

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