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Saindo do formal para empreender: lidando com a mudança

Saindo do formal para empreender: lidando com a mudança

4 de novembro de 2016 Blog 0
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Empreender é o sonho de muitos, mas a decisão de sair do mercado formal para esse novo panorama exige preparação. O que acontece ao sairmos do formal – com suas garantias e assistências – para a instabilidade e incerteza do empreendedorismo? Entenda.

Uma metáfora sobre mudança

Há mais de um século atrás tivemos o fim da legitimidade da escravidão. Claro que ainda houveram resquícios fortes de escravidão após a assinatura da Lei Áurea, mas esse foi um passo muito impactante para essa população.

Grande parte dos negros que estavam no Brasil viveram toda sua vida sob a escravidão, e a mudança para a liberdade os trouxe diversos impactos. O mais óbvio e feliz é a liberdade legitimada. Outra consequência não tão esperada foi a dificuldade de adaptação deles no seu novo modelo de vida. Após a abolição, existia uma gigantesca população negra desempregada e com dificuldade de acesso à compra de terras.

Eles não sabiam como reagir a essa mudança de panorama, e nem tinham assistência para isso. O fim da escravidão legal no Brasil não foi acompanhado de políticas públicas e mudanças estruturais para a inclusão dos trabalhadores. Por tudo isso, essa liberdade pela qual eles lutaram e que conquistaram acabou tendo um preço inicial muito difícil. O resultado final foi de que muitos negros voltaram – sem muitas opções – para a casa de seus ex-senhores porque não conseguiam lidar com sua “liberdade”. Voltaram para a escravidão. Na real, demorou muito tempo para que a escravidão os negros fossem abolidos de verdade.

Trazendo essa história como metáfora, essa situação é semelhante ao que acontece quando saímos de um regime de trabalho ou concurso e partimos (por necessidade ou vontade) para a iniciativa empreendedora. Saimos das regras e limitações do mercado formal – que tinha suas garantias e assistências – e mergulhamos no mar de instabilidade e incertezas que é o empreendedorismo.

Essa mudança e a liberdade no empreendedorismo

Empreender é o sonho de muitos, mas é uma liberdade conquistada a duras penas e que se torna real bem após a “abolição”, assim como com os escravos. Demorou muito tempo para que os ex-escravos fossem libertados de verdade porque não estavam preparados para o novo ambiente e nem o ambiente para eles.

Temos um ecossistema que ainda não têm políticas públicas e estruturas com real apoio aos novos empreendedores. É um fato. Igualmente, como eles também não estão preparados para a instabilidade inicial do empreender. Empreender não dispõe de certezas e garantias, mas as despesas continuarão existindo. E é extremamente difícil lidar com essa pressão inicial. O que sustenta a decisão muitas vezes é a necessidade de liberdade individual que os dispostos a empreender sentem. Contudo, essa vontade não arca com os custos que todos temos.

Muitos empreendem acreditando na riqueza rápida e fácil com seus negócios, mas a realidade é contrária a essa ideia. Os dois primeiros anos de um empreendimento exigem uma dedicação extrema e muito suor para fazer o negócio andar… E ainda sem nenhuma garantia de que ele vá ser o novo Uber.

Diferentemente do caso dos negros do século 19, assumir a mudança legitimada do formal para o empreendedorismo é uma escolha. Contudo, largar uma vida de estabilidade não é fácil e deve ser escolhido com consciência das consequências. O problema é justamente um ecossistema que supervaloriza o pequeno % de empreendimentos bem-sucedidos e oculta toda a ralação e abdicação por trás dessas conquistas.

De que precisamos para sustentar essa mudança?

  1. Nossa motivação frente à decisão de empreender é um item muito importante… mas não dá conta da tarefa sozinha.
  2. É preciso muito planejamento para o que é importante (como nossa saúde e itens básicos de sobrevivência) não seja afetado. Não fazer as coisas às cegas é o modo mais prudente de agir.
  3. Pé no chão é crucial para saber qual o melhor momento de enfrentar essa mudança. Também é importante para compreendermos o momento de dar uma freada. Sim, parar tem que ser uma opção… menos visada, mas não descartada caso seja necessária.
  4. Um ecossistema pronto para receber os empreendedores seria ideal, pois nem tudo depende de nós. É um fato. Os impostos altos, os poucos incentivos, poucas oportunidades de capacitação e outras tantas escassezes são grandes killers dos negócios. Para essa mudança é preciso um ambiente saudável, assim como para uma planta crescer é necessário uma terra fértil.
  5. Cooperação. Como? De quem? Uma rede de empreendedores dispostos a colaborarem uns com os outros para o desenvolvimento dos quatro pontos anteriores é uma ferramenta f-a-b-u-l-o-s-a!

Estamos prontos?

É uma pergunta que eu quero te fazer: estamos prontos? Um fato é que nunca estaremos 100%, mas temos que estar em busca disso. Se não conduzirmos essa mudança de maneira sábia, retornaremos rapidamente ao local de escravidão… E eu acredito de verdade que quem empreende por esse desejo de liberdade e amor em criar, não deseja ser refém do mercado formal novamente.

Sobre nós, vamos nos preparar para quando for o momento de optar pela mudança. É necessário.

 

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